Saudações, taverneiros, aventureiros e NPCs!
Antes de mais nada, gosto é de cada um, e o texto a seguir é minha opinião e minhas impressões pessoais sobre a arte que tem sido escolhida para ilustrar os livros de RPG de D&D recentemente...
Hoje em dia parece que todas as ilustrações de livros de RPG são na verdade ilustrações de campeões de LOL, Team Fortress, etc. e não de heróis de fantasia medieval, numa verdadeira "gamificação" das figuras, que na minha opinião, acabam quebrando um pouco do clima.
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| Reparem como tudo é bastante exagerado nessa figura. Fonte: https://dnd.wizards.com/articles/features/fan-site-kit |
Analisem a figura acima. Tudo nela é exagerado e há uma certa poluição visual em cada personagem quando observado individualmente. É como se cada personagem fosse sombrio, "frio e calculista", etc. Todas as "pontas" (das armas, roupas, etc.) são afiadas, todas as cores são escuras, todas as armas que os personagens usam tem um jeito de "arma lendária destruidora de demônios", nenhuma parece normal. Duvido que qualquer monstro sobreviva a um encontro com um só personagem destes que estão representados. Além disso, parece um cartaz de filme de super-herói, e não uma cena que esteja realmente acontecendo. Não tem autenticidade aí. É puro marketing.
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| Sinceramente, que Halfling mal desenhada... |
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| Essa "gnoma" parece o Smeágol antes de perder o cabelo |
Outro detalhe é que nas ilustrações atuais alguns personagens são feitos com feições desenhadas em um nível que beira o cômico, quase lembrando animações em CGI em alguns aspectos, como as ilustrações acima.
Agora notem como as ilustrações abaixo tem um ar de "artificialidade", ou seja, não há verossimilhança - nada parece natural a respeito delas, é como se não tivessem vida:
Vejam só esta outra imagem, capa alternativa do mais recente lançamento de Ravenloft (Van Richten's Guide to Ravenloft):
Eu não sei quanto a vocês, mas a 2ª imagem me parece muito mais bem feita e melhor desenhada, em todos os aspectos: cores, luz, sombras, as roupas da personagem, o cenário, profundidade, e por aí vai. Essa imagem é realista e de uma maneira sem exageros. Tem realmente uma cena aí, tem alguma coisa acontecendo, não é somente uma figura que parece legal.
Ainda falando de Ravenloft, na minha opinião o design do Conde Strahd para a 5ª edição de D&D é, digamos, bastante sem graça.
Quiseram "embelezar" o vampiro, deixá-lo com aparência mais jovem, mas isso acabou descaracterizando o vilão. Ele agora parece mais um anti-herói do que um verdadeiro vilão. Comparem as figuras abaixo (a primeira com o novo design, usado desde o lançamento de Curse of Strahd, e as outras duas dos anos 80 e 90)
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| A clássica inimizade Strahd vs Azalin - para ser justo, o design do Azalin melhorou bastante em relação ao da Black Box |
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| Na minha opinião, a melhor representação de Strahd é essa, do Domains of Dread. |
Creio que a mudança de design do vampiro também tenha sido uma tentativa da WotC de afastar a imagem de seu personagem da imagem do ator Bela Lugosi, talvez por questões de direitos de imagem. Será que descendentes do ator estavam exigindo receber uma parte dos royalties relacionados ao personagem Strahd von Zarovich? Não me parece uma possibilidade remota, tendo em vista o histórico de seu filho, também chamado Bela Lugosi, advogado e ativista dos direitos das celebridades. Na minha opinião, isso deve ter tido algum peso nessa decisão.
Na edição 3.5, os traços (pelo menos os de Ravenloft) ficaram em um estilo próximo do "mangá" (mas sem o exagero que se vê nos livros do cenário "Tormenta", por exemplo) e com armas e armaduras mais realistas do que o estilo atual. É agradável aos olhos e não há muita "poluição visual". Vejam abaixo:
Agora, falando sobre a arte dos livros na época anterior à 3ª edição: havia artes mal feitas? Sim, claro! Mas no geral, antes os desenhos eram mais sóbrios e tinham aquele aspecto artesanal que dava um charme de "livro antigo", fazendo destes livros quase atemporais. Não sei explicar bem, mas elas têm um apelo quase nostálgico (talvez por eu ter jogado AD&D quando criança) e há um quê de realismo nas cenas desenhadas: as armaduras e armas faziam sentido, e a maneira como as coisas estão desenhadas realmente cria uma ilusão de que "esta cena pode ter realmente ter acontecido há muito tempo, em outra era", ou seja, há verossimilhança. Talvez a palavra-chave seja essa mesma. Isso explica porque os desenhos daquela época pareciam mais naturais do que os de hoje em dia. Vejam a ilustração abaixo:
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| Esse estilo mais sóbrio é, na minha opinião, bastante superior ao atual e muito mais "fantástico". Tem vida nesta cena. |


















