quinta-feira, 11 de junho de 2026

Ravenloft: resgatando a arte pré-5a edição - parte 1

 Saudações aventureiros!

Como sempre escrevo aqui, D&D teve seu auge no AD&D 2e em todos os aspectos: lore, regras, jogabilidade, personagens e, é claro, na arte.

E Ravenloft é o meu cenário preferido. Ele nasceu como cenário de campanha em AD&D2e e teve seu auge, na minha opinião, no livro Domínios do Medo, que ainda era de AD&D2e. Na época da terceira edição, atualizaram Ravenloft com livros novos e artes novas que, embora ainda tenham sido feitos com carinho, já eram um pequeno downgrade em relação às do Ravenloft do AD&D2e.


Lembro-me de, no início dos anos 2000, época da internet discada, ficar procurando imagens e ilustrações de Ravenloft na internet e isso ser algo raro e difícil de achar. Na época, eram poucas imagens disponíveis na web, quase sempre eu encontrava as mesmas, mas todas muito boas, em contraste com hoje em dia, em que eu encontro maior variedade de imagens mas a maioria de mediana para baixo.

As ilustrações da época do AD&D2e conseguiam, pelo menos as ilustrações de capa e os materiais promocionais, capturar a atmosfera gótica, de terror gótico, que é (ou ao menos deveria ser) a essência desse cenário de campanha. As ilustrações do interior dos livros nem sempre conseguiam fazer isso, muitas acabavam puxando para o lado high fantasy (afinal o fruto não cai muito longe da árvore), embora tivesse muitas artes boas nas páginas dos livros.

E, convenhamos. Era melhor antes quando Ravenloft era pouco conhecido e portanto era o nicho do nicho. Tínhamos menos coisas, mas de maior qualidade. Com praticamente toda produção artística é assim. 

E hoje que Ravenloft virou "modinha" e o Conde Strahd von Zarovich é praticamente um pop star, quase um novo Drizzt, as boas e velhas artes oldschool estão sendo soterradas na internet por uma avalanche de imagens "new school", que poluem as pesquisas por mais que se filtre. Como eu já falei outras vezes aqui, as artes que estão sendo feitas, tanto ilustrações dos livros oficiais quanto as fanarts estão cada vez mais genéricas e sem alma, e isso já vem acontecendo há alguns anos. Algumas feitas mais ou menos nos idos de 2015 são tão genéricas que são praticamente ilustrações de IA feitas antes da IA existir.

Portanto, hoje inicio o que eu espero que vá se tornar uma série de postagens nas quais eu preservo neste meu humilde espaço as artes originais de Ravenloft, com seu charme artesanal e estilo mais oldschool. (à exemplo da minha série  - no momento parada, mas que um dia voltará - de ilustrações de O Senhor dos Anéis)

E, como não poderia deixar de ser, o tema de estréia desta série é ninguém menos que o terrível Conde Strahd von Zarovich, o vampiro de Barovia, principal personagem e vilão dos Domínios do Medo.

  

Literalmente eu. O Conde Strahd se parece comigo nesta ilustração, principalmente as entradas. Acho que essa é da seção que fala sobre os darklords de Ravenloft do livro Realm of Terror, o livro básico da Black Box,  a primeira edição de Ravenloft como cenário de campanha. Gosto de como o Strahd nessa ilustração se parece uma pessoa normal, ao contrário do que convencionou-se fazer com personagens de hoje em dia (vide postagem anterior), que são desenhados sempre de forma exagerada. Outra coisa legal dessa ilustração é ela ser em preto e branco. Em que pese a maioria das ilustrações internas dos livros de RPG da época serrem em preto e branco esse esquema de cores contribui para a ambientação gótica que se deseja em Ravenloft.


Essa é a ilustração do Strahd na seção de darklords do livro "Domínios do Medo". Outra boa representação do Conde, com bons traços e estilo de desenho.


Essa é a capa do livro "I, Strahd - The Memoirs of a Vampire", que já resenhei aqui no blog, salvo engano. A ilustração orginalmente é da aventura Ravenloft (I6), para o D&D original, que foi a precursora de todo o cenário. A predominância do cinza-azulado, verde-acinzentado e preto, todos de tonalidade sóbria, e também as sombras dos detalhes do castelo, as gárgulas, o interior vermelho da capa do vampiro ::: tudo isso constrói a atmosfera gótica da cena retratada.   

Essa ilustração eu não conhecia até fazer a pesquisa para esta postagem. Muito interessante. As cores (predominância de preto e tons de marrom, com detalhes vermelhos na roupa do Conde, além do contraste da cena escura com sua pele pálida e o jogo de luz e sombras) e os detalhes da cena (o caixão, o candelabro) formam uma boa ilustração de terror gótico. Essa aqui é um pedaço da capa do livro Vampire of the Mists


Essa ilustração evoca bem o caráter trágico da história do Strahd. Nesta o vampiro está com o corpo morto de sua amada Tatyana em seus braços, provavelmente retratando a cena em que Strahd se torna vampiro.

Essa é a capa da primeira caixa do jogo, a chamada Black Box. Outra cena retratando o Strahd com sua amada Tatyana, mas nesta aqui ela parece mais uma vítima e o vampiro parece estar prestes a cravar as presas em seu pescoço. Os reflexos da luz da lua nas roupas pretas do vampiro estão muito bons, e é de certa forma um alívio ver uma ilustração de um vampiro com roupas "simples" (só a capa, uma camisa "social" por baixo e uma jóia pendurada no pescoço - para refletir suas origens aristocráticas)- se fosse hoje em dia iriam fazer ele cheio de jóias, usando partes incompletas de armaduras e talvez até com tatuagens, o que não combina com o tipo de personagem.  Claramente inspirada nos visuais dos filmes antigos do Drácula. Como é a capa da primeira caixa do jogo, ela foi feita pensando em definir logo de cara qual deveria ser o tom das aventuras passadas em Ravenloft.

Essa é uma imagem que eu encontrava na "internet antiga" - não se parece com o Strahd, mas em muitos lugares que eu encontrei essa ilustração está escrito que é o Strahd, então vou deixar aqui. Nesta cena, o artista criou um nevoeiro no fundo do cemitério e deu uma roupa com um azul bem aristocrata para o vampiro, em contraste com seu colete vermelho e suas calças marrom escuro (ou cor de vinho escura, realmente não sei). Os detalhes são muito bons também, principalmente as sombras das dobras das roupas, o reflexo da luz na manga da camisa e o nevoeiro no fundo. Provavelmente é uma imagem promocional, porque está com o logotipo Ravenloft na cruz em segundo plano e o Lord Soth está fazendo uma aparição no fundo da imagem. Essa é a ilustração mais "new school" das ilustrações "oldschool" aqui apresentadas, mas é boa porque mostra um caminho que as ilustrações de Ravenloft poderiam ter tomado.

Essa é, para mim, a melhor ilustração feita do Conde Strahd. É a capa da segunda edição de Ravenloft (conhecida como "Caixa vermelha"). Acho que essa ilustração pegou bem o caráter trágico do personagem: ele está de pé, imponente (efeito provocado por sua postura e reforçado pelo ângulo que enxergamos a imagem), com sua roupa escura e iluminado pela luz da lua cheia, mas está olhando para baixo, pensativo, como se contemplasse sua própria tragédia. A estátua do anjo chorando no alto da coluna atrás reforça essa idéia de "contemplação da tristeza". As "almas" pairando atrás de Strahd eu interpreto ou como sendo as almas de suas vítimas o atormentando ou manifestações de suas lembranças.















sábado, 16 de maio de 2026

O resumo de um dos maiores problemas atuais da Fantasia


Esse print abaixo, de um post que eu vi recentemente no twitter, resume bem uma coisa que eu penso não só sobre RPG, mas sobre a produção literária contemporânea de fantasia no geral:


Por melhor que eu escreva, a imagem acima resume bem o problema do excesso de tudo, a mentalidade de "toda arma é lendária", "toda espada tem nome", "todo personagem nível 1 já é um mestre espadachim", etc que contaminou o gênero "fantasia" de uns anos para cá.  

Tudo é exagerado, os autores mais "mainstream" e até mesmo muitos "indies" acham que tudo precisa ser "épico", "espetacular" e aí pra mim isso estraga as coisas, pois tudo fica forçado demais e isso deixa um vazio no fim. 

Se tudo é "épico", "superfantástico", "ultra-super-mega-hiper-especial-plus", então no fim nada é especial e nada importa de verdade nesses mundos de fantasia. 

Nem todo guerreiro pode ser o mestre espadachim.

O aventureiro nível 1 não pode ser o mestre guerreiro, líder de uma ordem militar.

Para ser um mestre guerreiro, um arquimago, um druida hierofante, um mestre de uma ordem de paladinos, são necessários anos e anos de treino, estudo e sacrifícios. Não pode haver personagens que recebem tais coisas de mão beijada, sob o risco da história perder o significado.

Há muitos outros problemas, óbvio, mas esse é um dos principais. 

Qual a opinião dos meus 9 leitores sobre isso?


Forte Abraço!

Que Deus os abençoe!


terça-feira, 5 de maio de 2026

Atualização de meus projetos -abril de 2026

 Saudações taverneiros, aventureiros, ferreiros e aos NPCs que eventualmente chegam até aqui!

Abril foi um mês meio parado nos projetos, pois apareceram outros assuntos na vida pessoal que exigiram muito mais atenção. Por isso, quase não consegui escrever em abril. Também não fiz o post de atualização, mas isso foi mais porque o anterior havia saído em 21/03, então achei melhor esperar completar o mês para postar sobre as coisas que fiz em abril.



1) Meu wargame - em abril não escrevi nada e nem testei as regras. Em abril a vida cobrou outras prioridades. Além disso, conforme eu disse no outro post: eu tenho uma dúzia de projetos ao mesmo tempo, e minha mente vai "gotejando" idéias para cada um deles e eu vou só anotando e guardando. Eventualmente surgem idéias para projetos novos (e isso aconteceu em abril) então eu vou anotando e dando um "start", e a pilha de obras em andamento só aumenta!


2) A versão "boardgame" do meu wargame - Não fiz nada em abril além de comprar mais umas miniaturas.  


3) Algumas aventuras oldschool -   aquela aventura que está quase completa realmente ainda dá muita preguiça fazer o mapa e corrigir pequenos erros no texto. Preciso ver se o site que eu usei para fazer o mapa da "The Missing Children" ainda funciona (infelizmente várias ferramentas gratuitas da internet eventualmente saem do ar ou o criador muda demais a maneira como funcionam e elas se tornam "inutilizáveis")


4) O outro livro de regras para uma nova classe de personagens (no estilo do meu "A Jester's Handbook") - nem mexi em abril. Está em terceiro plano.


5) um Bestiário (puxando mais para o lado low-fantasy ou, digamos, "old fantasy") - não mexi. Também está em terceiro plano.


6) O outro livro que eu me inspirei para escrever enquanto escrevia o Saga Maker - publicar em maio ainda é uma possibilidade, mas já começo a vislumbrar junho. Conforme contei nas atualizações anteriores, eu já escrevi bastante dele, e estou preso nas barreiras da edição, principalmente diagramação de tabelas, e da seleção de imagens.  Mas tem outra coisa também: ele tomou um vulto maior do que minha idéia original, então deve demorar sim. 


7) Os meus outros livros, também em estado embrionário - conforme escrevo todo mês : volta e meia escrevo uma linha, um parágrafo, penso em títulos/idéias, pesquiso imagens, etc. Agora tem pelo menos uns 4 ou 5 livros assim. 


8) Este mês não sei se vou conseguir postar alguma coisa no blog, sem ser esta atualização mensal. Eu tenho um rascunho quase pronto que deveria ter saído em abril, mas ficou pra maio (se der).


9) O meu blog de wargame continua parado, e isso está me incomodando. Acho que  vou postar umas fotos de miniaturas pintadas, só pra tirar as teias de aranha! Mas tenho escrito num caderninho umas idéias sobre a história de Australusia. Pode ser que eu publique.

Por enquanto é isso!


Abraço do Bardo!


Fiquem com Deus!