quarta-feira, 1 de julho de 2026

Ilustrações de Fantasia III - O Senhor dos Anéis (arte "pré-Peter Jackson") (3)

Saudações, aventureiros!

Como li rumores de que um novo filme de O Senhor dos Anéis supostamente estaria em produção e que pode ser que coloquem o Tom Bombadil nele, vou deixar aqui umas artes deste excêntrico e ilustre (e, para alguns, infame) personagem, just in case, antes que a internet fique "poluída" com o design contemporâneo que os produtores inventarem para ele. 

Tom Bombadil é um dos (se não "o") personagens mais misteriosos de Tolkien e há muitas teorias dos leitores e estudiosos das obras tolkenianas a respeito de quem este personagem seja, sendo as mais populares (acredito eu) a teoria de que ele seja o próprio Tolkien inserido na história (o pessoal na internet chama isso de "self-insert", mas geralmente vejo isso sendo usado como pejorativo), e a de que ele seja uma manifestação física do próprio Eru Ilúvatar.  Ambas as teorias são plausíveis e fazem sentido. 

Mas já li também em algum fórum de Senhor dos Anéis que há alguns loucos que teorizam que ele seria o próprio rei-bruxo de Angmar tentando enganar os hobbits, mas acho essa teoria bizarra demais e nem consigo imaginar os fundamentos dela (eu li de segunda mão, apenas alguém comentando que já leu sobre essa teoria, mas nunca a encontrei na forma original e não faço idéia de quais seriam os argumentos de seus proponentes). Simplesmente não faz sentido.

O personagem é um tanto "ame ou odeie" porque ele está inserido numa das partes mais cansativas de se ler do livro A Sociedade do Anel, o capítulo "A Floresta Velha" e os seguintes, e ele surpreende por ser um ser completamente alheio ao que acontece no mundo além das fronteiras da Floresta Velha e imune aos efeitos do Um Anel. Para alguns leitores ele é uma "distração" ou até mesmo uma "perda de tempo" da narrativa principal. Para alguns fãs, foi muito bom Peter Jackson não tê-lo incluído nos filmes, e para outros isso não foi tão bom. Eu acho que realmente ele não encaixaria nos filmes, pois não daria tempo de "explicar" o seu papel, a não ser que o primeiro filme tivesse uma ou duas horas a mais.(Desconheço se ele aparece ou sequer é mencionado na "versão estendida")

Bem, eu espero que meus leitores gostem de mais um post de apreciação de ilustrações de fantasia!


"Old Tom Bombadil was a merry fellow;

bright blue his jacket was and his boots were yellow,

green were his girdle and his breeches all of leather;

he wore in his tall hat a swan-wing feather.

He lived up under Hill, where the Withywindle

ran from a grassy well down into the dingle."


Essa é a ilustração mais diferente do Tom Bombadil que eu já vi, e a única em que ele parece mais sereno (quase sério) e magro! E as roupas dele estão mais "ajustadas" do que normalmente se vê nas ilustrações deste personagem. Aqui ele está até parecendo um elfo barbudo, uma mistura de Gandalf com Legolas.


Essa é muito boa, deixou o personagem meio "arredondado" (e imagino que ele seja meio gordinho, embora não tenha certeza se no livro ele é descrito desta maneira)


Essa é a mais famosa que eu vejo sendo replicada por aí. Capta bem o espírito jocoso e despreocupado do personagem. Se fosse socialmente aceito, é assim que eu gostaria de me vestir no dia-a-dia!


Uma bela pintura do Tom Bombadil feita por algum usuário do reddit. Link da postagem aqui. Essa é interessante por ter deixado ele mais ruivo, mas as botas não estão muito amarelas. Lembra um pouco o estilo do Monet - eu diria que é uma pintura expressionista ou pós-impressionista.

Ho! Tom Bombadil, Tom Bombadillo! By water, wood and hill, by the reed and willow, By fire, sun and moon, harken now and hear us! Come, Tom Bombadil, for our need is near us!


Tom Bombadil e sua esposa Fruta D'Ouro recebendo os hobbits em sua casa na Floresta Velha. Nessa ilustração ele me faz lembrar do Fantasma do Natal Presente de algum dos filmes que fizeram d'O Conto de Natal, do Charles Dickens. Talvez seja porque as roupas dos personagens estão bem "Vitorianas" nessa ilustração.


Ilustração em preto-e-branco bastante interessante da cena em que  Tom Bombadil "enfeitiça" o salgueiro malvado da Floresta Velha para soltar os hobbits que foram engolidos. Nessa ilustração ele me lembra um pouco o Barba Azul, conforme ilustrado pelo Gustave Doré. 









O meme que me inspirou a escrever este breve post



quarta-feira, 24 de junho de 2026

Atualização de meus projetos - maio de 2026

Saudações taverneiros, aventureiros, ferreiros e aos NPCs que eventualmente chegam até aqui!



Tal qual abril, maio foi um mês parado nos projetos, pois me dediquei mais à pintura de miniaturas, mas nada que eu achei que valesse à pena publicar por aqui ou no blog de wargames (mas, refletindo agora, pode ser que eu publique só pra tirar as teias de aranha de lá!). 

Mas, pelo menos, em maio escrevi um post sem ser o de atualização de projetos aqui no blog.


1) Meu wargame - em maio não fiz nada.

2) A versão "boardgame" do meu wargame -Em maio além de comprar mais umas miniaturas, comprei mais umas peças para o tabuleiro e pintei. Estou querendo muito testar minhas regras, mas confesso que fico procrastinando isso e me refugio na pintura das miniaturas.  

3) Algumas aventuras oldschool - só verifiquei que um site gerador de mapas de cidades ainda funciona. Nossa, que preguiça de diagramar e desenhar os mapas no PC! Eu acho que vou experimentar desenhar o mapa à mão, escanear e dar uma melhorada no paint mesmo e então colar no livro, para ver se isso fica melhor, ou até mesmo comprar carimbos para fazer o mapa (sim, existem carimbos para montar mapas!).

4) O outro livro de regras para uma nova classe de personagens (no estilo do meu "A Jester's Handbook") - nem mexi em maio. Esse não está nem em segundo ou terceiro plano: está em quinto plano!

5) o Bestiário (puxando mais para o lado low-fantasy ou, digamos, "old fantasy") - não mexi. Também está em quinto ou sexto plano.

6) O outro livro que eu me inspirei para escrever enquanto escrevia o Saga Maker - eu dizia que publicar em maio era uma possibilidade, mas não aconteceu. Agora eu digo que publicar em junho ainda é uma possibilidade, mas começo a vislumbrar julho, por que não tenho tido tempo para sentar no PC e mexer nisso. Conforme contei nas atualizações anteriores, eu já escrevi bastante dele, e estou preso nas barreiras da edição, principalmente diagramação de tabelas, e da seleção de imagens. Mas tem outra coisa também: ele tomou um vulto maior do que minha idéia original (como geralmente acontece), então deve demorar mesmo. 

7) Os meus outros livros, também em estado embrionário - mantenho aquilo que escrevo todo mês: volta e meia escrevo uma linha, um parágrafo, penso em títulos/idéias, pesquiso imagens, etc. Agora tem pelo menos uns 4 ou 5 livros assim. 

8) Conforme escrevi no começo do post, em maio consegui postar alguma coisa no blog, e este mês também, sem ser a atualização mensal. Será que agora em junho eu consigo 3 postagens? Aproveitei o post de hoje para atualizar a postagem que fiz sobre artes oldschool de Ravenloft, incluindo imagens de miniaturas oldschool também! Confira aqui.

9) O meu blog de wargame continua parado, e isso continua me incomodando... vou ver se consigo ânimo para postar.


Por enquanto é isso!

Abraço do Bardo!

Fiquem com Deus 

quinta-feira, 11 de junho de 2026

Ravenloft: resgatando a arte pré-5a edição - parte 1

 Saudações aventureiros!

Como sempre escrevo aqui, D&D teve seu auge no AD&D 2e em todos os aspectos: lore, regras, jogabilidade, personagens e, é claro, na arte.

E Ravenloft é o meu cenário preferido. Ele nasceu como cenário de campanha em AD&D2e e teve seu auge, na minha opinião, no livro Domínios do Medo, que ainda era de AD&D2e. Na época da terceira edição, atualizaram Ravenloft com livros novos e artes novas que, embora ainda tenham sido feitos com carinho, já eram um pequeno downgrade em relação às do Ravenloft do AD&D2e.


Lembro-me de, no início dos anos 2000, época da internet discada, ficar procurando imagens e ilustrações de Ravenloft na internet e isso ser algo raro e difícil de achar. Na época, eram poucas imagens disponíveis na web, quase sempre eu encontrava as mesmas, mas todas muito boas, em contraste com hoje em dia, em que eu encontro maior variedade de imagens mas a maioria de mediana para baixo.

As ilustrações da época do AD&D2e conseguiam, pelo menos as ilustrações de capa e os materiais promocionais, capturar a atmosfera gótica, de terror gótico, que é (ou ao menos deveria ser) a essência desse cenário de campanha. As ilustrações do interior dos livros nem sempre conseguiam fazer isso, muitas acabavam puxando para o lado high fantasy (afinal o fruto não cai muito longe da árvore), embora tivesse muitas artes boas nas páginas dos livros.

E, convenhamos. Era melhor antes quando Ravenloft era pouco conhecido e portanto era o nicho do nicho. Tínhamos menos coisas, mas de maior qualidade. Com praticamente toda produção artística é assim. 

E hoje que Ravenloft virou "modinha" e o Conde Strahd von Zarovich é praticamente um pop star, quase um novo Drizzt, as boas e velhas artes oldschool estão sendo soterradas na internet por uma avalanche de imagens "new school", que poluem as pesquisas por mais que se filtre. Como eu já falei outras vezes aqui, as artes que estão sendo feitas, tanto ilustrações dos livros oficiais quanto as fanarts estão cada vez mais genéricas e sem alma, e isso já vem acontecendo há alguns anos. Algumas feitas mais ou menos nos idos de 2015 são tão genéricas que são praticamente ilustrações de IA feitas antes da IA existir.

Portanto, hoje inicio o que eu espero que vá se tornar uma série de postagens nas quais eu preservo neste meu humilde espaço as artes originais de Ravenloft, com seu charme artesanal e estilo mais oldschool. (à exemplo da minha série  - no momento parada, mas que um dia voltará - de ilustrações de O Senhor dos Anéis)

E, como não poderia deixar de ser, o tema de estréia desta série é ninguém menos que o terrível Conde Strahd von Zarovich, o vampiro de Barovia, principal personagem e vilão dos Domínios do Medo.

  

Literalmente eu. O Conde Strahd se parece comigo nesta ilustração, principalmente as entradas. Acho que essa é da seção que fala sobre os darklords de Ravenloft do livro Realm of Terror, o livro básico da Black Box,  a primeira edição de Ravenloft como cenário de campanha. Gosto de como o Strahd nessa ilustração se parece uma pessoa normal, ao contrário do que convencionou-se fazer com personagens de hoje em dia (vide postagem anterior), que são desenhados sempre de forma exagerada. Outra coisa legal dessa ilustração é ela ser em preto e branco. Em que pese a maioria das ilustrações internas dos livros de RPG da época serrem em preto e branco esse esquema de cores contribui para a ambientação gótica que se deseja em Ravenloft.


Essa é a ilustração do Strahd na seção de darklords do livro "Domínios do Medo". Outra boa representação do Conde, com bons traços e estilo de desenho.


Essa é a capa do livro "I, Strahd - The Memoirs of a Vampire", que já resenhei aqui no blog, salvo engano. A ilustração orginalmente é da aventura Ravenloft (I6), para o D&D original, que foi a precursora de todo o cenário. A predominância do cinza-azulado, verde-acinzentado e preto, todos de tonalidade sóbria, e também as sombras dos detalhes do castelo, as gárgulas, o interior vermelho da capa do vampiro ::: tudo isso constrói a atmosfera gótica da cena retratada.   

Essa ilustração eu não conhecia até fazer a pesquisa para esta postagem. Muito interessante. As cores (predominância de preto e tons de marrom, com detalhes vermelhos na roupa do Conde, além do contraste da cena escura com sua pele pálida e o jogo de luz e sombras) e os detalhes da cena (o caixão, o candelabro) formam uma boa ilustração de terror gótico. Essa aqui é um pedaço da capa do livro Vampire of the Mists


Essa ilustração evoca bem o caráter trágico da história do Strahd. Nesta o vampiro está com o corpo morto de sua amada Tatyana em seus braços, provavelmente retratando a cena em que Strahd se torna vampiro.

Essa é a capa da primeira caixa do jogo, a chamada Black Box. Outra cena retratando o Strahd com sua amada Tatyana, mas nesta aqui ela parece mais uma vítima e o vampiro parece estar prestes a cravar as presas em seu pescoço. Os reflexos da luz da lua nas roupas pretas do vampiro estão muito bons, e é de certa forma um alívio ver uma ilustração de um vampiro com roupas "simples" (só a capa, uma camisa "social" por baixo e uma jóia pendurada no pescoço - para refletir suas origens aristocráticas)- se fosse hoje em dia iriam fazer ele cheio de jóias, usando partes incompletas de armaduras e talvez até com tatuagens, o que não combina com o tipo de personagem.  Claramente inspirada nos visuais dos filmes antigos do Drácula. Como é a capa da primeira caixa do jogo, ela foi feita pensando em definir logo de cara qual deveria ser o tom das aventuras passadas em Ravenloft.

Essa é uma imagem que eu encontrava na "internet antiga" - não se parece com o Strahd, mas em muitos lugares que eu encontrei essa ilustração está escrito que é o Strahd, então vou deixar aqui. Nesta cena, o artista criou um nevoeiro no fundo do cemitério e deu uma roupa com um azul bem aristocrata para o vampiro, em contraste com seu colete vermelho e suas calças marrom escuro (ou cor de vinho escura, realmente não sei). Os detalhes são muito bons também, principalmente as sombras das dobras das roupas, o reflexo da luz na manga da camisa e o nevoeiro no fundo. Provavelmente é uma imagem promocional, porque está com o logotipo Ravenloft na cruz em segundo plano e o Lord Soth está fazendo uma aparição no fundo da imagem. Essa é a ilustração mais "new school" das ilustrações "oldschool" aqui apresentadas, mas é boa porque mostra um caminho que as ilustrações de Ravenloft poderiam ter tomado.

Essa é, para mim, a melhor ilustração feita do Conde Strahd. É a capa da segunda edição de Ravenloft (conhecida como "Caixa vermelha"). Acho que essa ilustração pegou bem o caráter trágico do personagem: ele está de pé, imponente (efeito provocado por sua postura e reforçado pelo ângulo que enxergamos a imagem), com sua roupa escura e iluminado pela luz da lua cheia, mas está olhando para baixo, pensativo, como se contemplasse sua própria tragédia. A estátua do anjo chorando no alto da coluna atrás reforça essa idéia de "contemplação da tristeza". As "almas" pairando atrás de Strahd eu interpreto ou como sendo as almas de suas vítimas o atormentando ou manifestações de suas lembranças.


Uma miniatura do Strahd, fabricada pela aclamada Ral Partha, fabricante lendária de miniaturas de RPG e wargames. Estou atualizando esta postagem para incluir miniaturas oldschool, que também são uma forma de arte, obviamente! Eu gosto das miniaturas oldschool pelo mesmo motivo que eu gosto das artes oldschool: não são exageradas, e geralmente os personagens são retratados em poses naturais, normais, e não em situações inusitadas, poses excessivamente épicas, etc.









Outra miniatura do Strahd feita pela Ral Partha, da caixa Denizens of Ravenloft. Na minha opinião essa é a melhor miniatura já feita retratando o Strahd von Zarovich. O escultor deixou bem legal essa pose clássica de vampiro.