No fundo, podemos dividir o medo humano em duas grandes vertentes principais (na verdade trata-se de uma vertente só, como ficará claro a seguir):
Primeiro, o Medo da Morte, que é um utilíssimo mecanismo de sobrevivência. Quando uma situação desperta este mecanismo e ativa o medo da morte, nosso corpo por instinto nos faz tomar mais cuidado, corremos mais rápido, nossos músculos se contraem e conseguimos ter reflexos mais rápidos, andar mais silenciosamente, etc. O medo do desconhecido é fundamentado no medo da morte: tememos o que não conhecemos pois não sabemos se aquilo pode nos matar.
Segundo, o Medo de ser Humilhado Publicamente. Este é um medo que de certa forma ajuda a sociedade a se manter coesa, pois dificulta que o indivíduo se afaste daquilo que é socialmente aceito (geralmente o "socialmente aceito" são normas não escritas que existem há milhares de anos porque muito tempo antes disso nossos antepassados sofreram com os efeitos negativos da quebra ou da não existência destas normas, e as mesmas foram inventadas para possibilitar a vida em sociedade). Mas, ao mesmo tempo, este medo também é responsável pela maior das covardias - o medo de se fazer a coisa certa quando todos estão fazendo o errado.
Se pensarmos nisso, veremos que todos os medos são decorrentes destes dois principais, em camadas cada vez mais exteriores e concretas, partindo do medo mais abstrato até o mais concreto. O medo do escuro provém do medo do desconhecido, o qual provém do medo da morte. O medo de falar em público é proveniente do medo da humilhação pública, que por sua vez está intimamente ligado ao medo da morte.
Podemos, assim, esquematizar o medo humano como se fosse uma árvore com dois troncos que se separaram bem próximos da raiz (o medo da morte). Um dos troncos é o medo da humilhação pública, e dele partem todos os medos ligados ao reino das emoções e da psicologia (como o medo da rejeição, o medo de conhecer pessoas novas, etc.). O outro tronco é baseado no medo de se machucar, e dele partem todos os medos relativos à integridade física do ser humano (como o medo de ficar doente, o medo de sofrer violência, o medo de altura, etc.).
No fundo, todos provém do medo da morte.


